Atlantic Rhythms

Photographing Madeira and Porto Santo is, for me, an exercise in listening. Listening to the light, the wind, the silence, and the unique rhythm of each island.

In Madeira, I encounter the raw strength of the landscape. Mountains rise abruptly, wrapped in mist and dense vegetation, while the ocean remains a constant presence—deep and restless. The light changes quickly, creating intense contrasts that require patience and careful observation. Each image is born from this dialogue between the grand scale of nature and its constant transformation.

Porto Santo offers the complementary opposite: space, calm, and simplicity. The horizon line is clean, the light gently envelops the landscape, and time seems to slow down. Here, I photograph with less urgency. I search for subtle details, balanced forms, and the quiet atmosphere the island conveys. The images reflect this stillness, almost like a pause between breaths.

This body of work is the result of these two distinct yet deeply connected experiences. Two islands, two ways in which nature expresses itself, and a single pursuit: to capture not only what I see, but what I feel while being present in these places. Landscape photography, for me, is a gesture of respect and contemplation toward nature.

(PT)

Fotografar a Madeira e o Porto Santo é, para mim, um exercício de escuta. Escutar a luz, o vento, o silêncio e o ritmo próprio de cada ilha.

Na Madeira, encontro a força bruta da paisagem. As montanhas elevam-se abruptamente, cobertas por neblina e vegetação densa, enquanto o oceano marca presença constante, profundo e inquieto. A luz transforma-se rapidamente, criando contrastes intensos que me obrigam a observar com atenção e a esperar pelo momento certo. Cada imagem nasce desse diálogo entre a escala grandiosa da natureza e a sua constante mutação.

O Porto Santo oferece-me o oposto complementar: espaço, calma e simplicidade. A linha do horizonte é limpa, a luz envolve a paisagem de forma suave e o tempo parece desacelerar. Aqui, fotografo com menos urgência. Procuro o detalhe subtil, o equilíbrio das formas, a tranquilidade que a ilha transmite. As imagens refletem essa quietude, quase como uma pausa entre respirações.

Este conjunto de fotografias é o resultado dessas duas experiências distintas, mas profundamente ligadas. Duas ilhas, duas formas de a natureza se expressar, e uma mesma procura: captar não apenas o que vejo, mas o que sinto ao estar presente nestes lugares. Fotografar a paisagem é, para mim, um gesto de respeito e contemplação perante a natureza.

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